O meu nome é Viviana Caldeira, sou investigadora e estudante de doutoramento em Engenharia Biomédica. Embora o meu percurso seja algo inusitado, pode ser um exemplo de que nunca é tarde para nos reinventarmos, para recomeçarmos e para nos dedicarmos ao nosso sonho, que no meu caso em particular é a investigação.
Costumo dizer que a minha vida profissional começou na ciência, como aluna de engenharia civil (2000-2003), mergulhando de seguida na pseudociência, com os cursos avançados em Terapêuticas Não Convencionais (TNC), nomeadamente Naturopatia com especialidade em Acupunctura Clínica (2003-2007) e Osteopatia (2009-2012), para regressar à ciência com Engenharia Biomédica (2017-2020).
Fiz clínica aproximadamente 18 anos, dos quais 13 foram como Osteopata. Lecionei aulas e monitorizei estágios em Osteopatia. Trabalhei com todo o tipo de doentes, entre os quais atletas de alta competição que se viam obrigados a parar a sua prática desportiva devido a lesões cartilagíneas no joelho – este motivo levou-me à minha paixão incondicional por cartilagem e mais tarde por engenharia de tecidos. Por estes motivos, considero que a Osteopatia não se deve enquadrar numa pseudociência, mas precisa ainda de muitos estudos com rigor científico para ser considerada completa ciência.
Durante o meu tempo como Osteopata, ia a vários congressos e simpósios organizados pela SPOT, SPAT, ESSKA E FIFA, todos relacionados com Ortopedia, Medicina Desportiva e Reabilitação. Foi numa destas conferências, em 2013, que eu me deparei com uma palestra, dada por um Engenheiro Biomédico, sobre o futuro da engenharia de tecidos e a sua aplicabilidade médica. Esta palestra inspirou-me de tal forma, que mudou por completo o meu curso de vida. O Engenheiro Biomédico foi um Professor do grupo 3B’s, e na altura, eu não tinha a mais pequena ideia da sua importância como investigador, nem do número de artigos publicados ou do seu contributo para a ciência.
Comecei a estudar cada vez mais, passei horas em cafés da FNAC a ler livros sobre Engenharia Biomédica. Dos livros passei para artigos. Dos artigos passei para ideias, onde me surgiu uma ideia em particular que justificou mais tarde a minha tese de mestrado “Effect of Pulsed Electric Fields on cell viability and metabolism” onde o meu principal objetivo era estudar o efeito dos campos elétricos pulsados em condrócitos. Durante este percurso não posso nunca deixar de agradecer ao meu Orientador principal que sempre acreditou no projeto, e à minha coorientadora que me abriu a porta do laboratório, e à minha Alma mater, o Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL), que foi e continua a ser casa, por me encontrar ainda afeta ao Laboratório de Engenharia & Saúde.
Conclui o meu Mestrado e sem bolsa mantive-me como investigadora pro-bonno, enquanto dava consultas, aulas e estágios, até conseguir finalmente um financiamento. Candidatei-me ao doutoramento em Biomedicina na Nova Medical School, lutei como uma leoa para conseguir entrar, e embora o tema do projeto proposto pelo Professor que me orientava fosse impressionante, a dificuldade na obtenção de amostras levou-me a estagnar. Decidi então suspender o doutoramento em Biomedicina até ter amostras suficientes no Biobanco e concorri a outro doutoramento na FCT, em Engenharia Biomédica. Este é o doutoramento em que me encontro atualmente, e o meu projeto é sobre novas abordagens em engenharia de tecidos para problemas relacionados com a cartilagem. Faço parte do TELab (Tissue Engineering Laboratory) e quero partilhar tudo o que sei e tudo o que ainda não sei mas vou aprendendo.

